Por falar em Radiohead… os quinze anos do OK Computer

OK Computer Floppy

Esse ano o cajado de Moisés do Radiohead tá debutando… faz quinze anos que o quinteto inglês fincou o pé no cultura pop recente e mudou a forma de muita gente da minha geração ouvir e fazer música. Particularmente, esse é um dos discos que mais marcou minha vidinha audiófila. Um daqueles discos que sempre te surpreendem, te remetem às lembranças marcantes e que você salvaria da sua casa em chamas.
A data de soprar velinhas é 16 de junho, dia em que o disco foi lançado no Reino Unido, mas há os que vão dizer que a data correta foi dia 3, mais precisamente às 18h e 57min. Isso porque na contracapa do disco consta a inscrição 18576397, que seria o momento em que o álbum ficou pronto (ou seria 6 de março?). Essa é só mais uma das especulações e que no caso de um disco conceitual como OK Computer às vezes faz sentido.
Eu sempre falo que é possível ler uma trilogia somando os seguintes Kid A (2000) e Amnesiac (2001). OK Computer é a parcela humana, Kid A é a própria máquina e Amnesiac é alguma coisa que ficou perdida, esquecida e fragmentada entre as duas, (o que faz referência até mesmo ao modo de produção do álbum, realizado concomitante com Kid A – porém não um disco de sobras) talvez nós mesmos.
O que vale mesmo é que os discos vão se completando na expressão do Radiohead como um expoente do próprio Zeitgeist, afundado em todas essas relações simbólicas que nós apelidamos de pós-modernidade, e OK Computer é o estopim de tudo isso. Os referenciais icônicos da própria música, pela influência ou pela citação como o par se cumprimentando de Wish Were Here do Pink Floyd, uma das “origens” dos discos conceituais. Na estética, amparada nos trabalhos de colagens de Stanley Donwood ou na disposição das letras no encarte onde as canções tem as letras “desorganizadads” em contraposição à justa ordem da máquina de Fitter Happier (que aliás, é sub-apresentada na tracklist). Na nova relação com a distribuição, minando os limites da música com o disquete que acompanhou algumas edições e que trazia alguns wallpapers com a arte do disco (que é esse que tá lá em cima e cujo conteúdo dá pra baixar aqui). Ou na interação política/econômica/artística com a reprodução de um texto de Noam Chomsky no EP How Am I Driving, sem contar o próprio título do EP que diz muito sobre o comportamento humano contemporâneo. Isso tudo sem se aprofundar em cada canção desde o rerato pessoal de Thom Yorke em Airbag, a ironia melódica de No Surprises ou a raiva melancólica e fugitiva de Exit Music, esperando que nos sufoquemos; num filme.
Hoje é massa perceber que aquilo era só um começo… e eu me peguei de surpresa escrevendo isso aqui.
Ficou a fim? Deleite-se… We hope that you choke.

Publicado em 13/06/2012, em Arte, Artigo, Coisas, Coisonas, Discos, História, Música e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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