Mano Brown, Marighella, Pinheirinho e o caminho da revolução nos anos 10

Somado, o título desse post aponta pruma resposta. Mas como diz o Žižek, o que nos falta é a pergunta. Ainda na mira do esloveno, essa onda pré-revolucionária mundial dos anos 10 nos enche de uma paixão egoísta pelo momento, pelo gosto bom de ocupar e levantar bandeiras, sem observar o que de fato isso muda o nosso cotidiano seguinte. O imdediatismo dos nossos dias pode fazer com muitos acreditem que isso já é a revolução.
Aí, Mano Brown chega com um comparativo inusitado e certeiro: “O Brasil tá em transição. O Brasil ainda não sabe se ele é um país moderno ou um país em 1962”. É por isso que os movimentos sociais do Brasil são o outro lado da moeda. O lado que precisa mudar o cotidiano e mantê-lo diferente. Daí que um occupy no Brasil não é em praça, nem nas ruas, mas corre atrás de moradia, de teto, de reforma agrária e urbana. E mesmo que os olhos brilhem diante do Zuccoti Park ou na praça da Catalunha, mas é no Pinheiro que o sangue corre.

Segue um trecho do texto do Bruno Paes Manso publicado noutro dia no Estadão, com uma outra olhada sobre o que é esse Marighella dos Racionais. Lá embaixo vai um vídeo da produção do clipe na Ocupação Mauá, tratada por alguns como o novo Pinheirinho.

Como se não houvesse muito mais a rimar e declamar, as músicas dos Racionais minguaram e nenhum álbum relevante foi lançado em dez anos. No mesmo período, as periferias foram dominadas pelo funk e pelo pancadão, celebrando o consumo e o prazer em excesso proporcionados pelo sexo casual e pelas drogas. Os anseios da geração de jovens das periferias ficaram mais próximos aos dos jovens da classe média paulistana.

Na voz de Brown, não se trata de Marighela, “assaltante nato”, nem do comunismo, nem dos operários. Mas da revolta, da raiva contra o sistema, dos “correrias”, perseguidos e descriminados, mas com procedimento, devotos do ódio, protagonistas de uma vida sem sentido, que criam meios violentos para suportar a vida na sociedade violenta.

Marighella é a metáfora que revela as aspirações da geração urbana dos garotos perdidos, enrolados na carreira criminal que escolheram. Filhos de migrantes, nascidos nas grandes cidades, onde negaram a cultura rural dos pais para inventar os próprios caminhos.

Publicado em 13/07/2012, em Artigo, Coisas, Música, Vídeo e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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