Emicida e os arroubos de uma TV que insiste em não ser…

Tava eu falando da TV outro dia e num passeio dei de cara com isso: o especial Som Brasil Festivais, que a Globo exibiu semana passada. Emicida mandou ver pra cima de Sinal Fechado do Paulinho da Viola. Inspirado, inovador, bonito, profundo e sei lá mais quantos adjetivos. Foi no mínimo emocionante. Eu nem vi o programa todo mas somando a participação de Tony Tornado em BR3 deixou isso tudo muito mais simbólico.
Encaixado pra lá da uma da manhã, entre os horários de menor apelo comercial se exibe/esconde aquilo que é um pouquinho mais do que a realidade enlatada do horário nobre. Mas também não é aquilo tudo. O absolutismo das verdades inquestionáveis, a “indiscutível qualidade superior dos festivais” que insiste em ressuscitar algumas velhas e mornas chatices na voz das novas salvações da MPB – vá lá Maria Gadu. Pasteurizando passado e presente num futuro insosso e pálido. Acho que agora já dá pra recolher as pedras contra o Emicida, que insiste em ocupar os espaços, comer pizza no Faustão e ganhar uns VMBs.
“A vida não se resume a festivais”. A frase saltou das pick ups antes do Emicida lançar o verbo. Pinheirinho, Favela Do Moinho, Alcântara, invadiram a TV. “Ódio, grades, tribos mortas, pés na porta… a luta é necessária… ante a mão contrária à reforma agrária… pra TV xiu, ela mentiu, vamo Brasil… que nos resumiu à mulata e fuzil. A RUA É NÓIS. Pode prende, pode matar, nossa causa é muito maior.”
Há o preço que se paga e há o sonho que se tem, mas nada se compara ao gosto… Emicida levou a rua pra TV. É, foram só alguns minutos. É, era de madrugada. Mas e daí, é o gostinho compartilhado de um daqueles momentos em que a TV é maior que a emissora e não dá conta de enlatar a realidade. Porque por mais que possa parecer, as vênus platinadas mundo afora não detém nenhum poder absoluto. O medo do dominador é maior que o do dominado.
E o Don Tony Tornado, cantando a estrada da vida cujo longo asfalto detém um crime e uma notícia fabricada, prum novo herói de cada vez, encerra o ato, ergue o punho cerrado pantera negra e com o Emicida lança a benção. Foi isso que passou na TV e isso é a resistência, e a resistência é maior que a TV. A resistência é nóis, a rua é nóis. Assista aí, a música é brinde, o resto é história.

Publicado em 08/09/2012, em Coisonas, História, Música, Vídeo e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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