Os fãs de Radiohead e mais um ‘DVD’ colaborativo…

Radiohead Roseland

Seguindo a onda do Projeto Raindow, que compilou os vídeos das câmeras e celulares dos fãs durante a passagem do Radiohead pelo Rio e Sampa em 2009, um grupo de Nova York lançou essa semana o show dos ingleses de 2011, da turnê do The King of Limbs no Roseland Ballroom.
A fórmula é a mesma, colaborativa e multi câmeras, mas com o áudio de fonte única. E a distribuição segue a regra, dá pra baixar os .VOBs do DVD, a arte e mais alguns penduricalhos tudo de graça lá no blog da produção.
Ou dar play e vidrar em quase duas horas de RDHD ao vivo… porque a gente nuca cansa.
Mas é claro que eu não posso deixar de dar uma lambida no Raindown antes de sair. A idéia, original e que motivou isso tudo – da qual eu participei enviando meu videozinho e que já virou até trabalho acadêmico de conclusão de curso – não é só um pontapé de criatividade, mas é também um fenômeno da cultura contemporânea. Assim como o Radiohead cutuca frequentemente o mercado fonográfico, os reflexos nos fãs da banda puxaram o tapete da distribuição audio-visual e da criação de conteúdo multimídia, principalmente (ou quase unicamente) na internetz.
Um pouco antes de se despedir, Chico Science dizia que nós entrávamos num período em que estávamos prestes a consumir a música feita por moleques cerrados em seus quartos. Assim como David Lynch aponta para o futuro do cinema. Acontece que isso já acontece. O clichê do futuro é agora, é um tanto quanto nonsesse prum muleque de 15 ou 16 anos, já que o presente mal dá tempo dele lembrar o passado.
Mais interessante ainda é que idéias colaborativas como a do Raindown e do DVD Roseland se dão a partir de uma banda icônica, que mudou o contexto musical recente e as bases da música pop mundial e advém de um disco que foi distribuido de graça na rede e outro que abdicou do formato físico. E ambos se tornam registros históricos no clique do video stream.
E em tempos de TeraPixels e Full Glacê HD o Raindown é um marco de um período em que se consome o próprio cotidiano via Estragam e o sonho de consumo é a fama. Mas é o outro lado da moeda. Onde consumimos nossa própria produção – essa é a parte boa.
Pra quem acompanhou isso de perto (ou leia-se, esteve vivo e conectado nos últimos dez anos) viu que passamos de andróides paranóicos a travessas giratórias e hoje “Aqui estamos nós / Para baixar seus preços / Te darmos de comer aos cães / pro Daily Mail”.

Publicado em 02/12/2012, em Artigo, Coisas, Coisonas, Discos, Download, História, Música, Notícias, Variedade, Vídeo e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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