Pára o mundo que… ele tá no lugar errado e na hora errada.

Silva e Minotauro

Ontem o Sakamoto deu uma certeira (pra variar) sobre a agressão que um jovem de 27 anos sofreu de dois homens na última segunda, em São Paulo. A motivação homofóbica de sempre, a covardia de sempre e os personagens de sempre. O agredido, um homossexual (agredido por ser homossexual). Os agressores, um empresário e um personal trainer de 25 e 27 anos (classe média em cada sulco da impressão digital).
A história vai se repetindo, assim como as reações, como as que o próprio Sakamoto destacou no texto:
“Foi agredido, apanhou. Apanhou de besta. Se tivesse seguido o caminho dele não teria apanhado.”
“Foi uma agressão normal, como qualquer tipo de outra agressão que acontece no trânsito de São Paulo.”
“Ele mexeu com as pessoas erradas, no lugar errado, no momento errado. E foi agredido. Aprende, nunca mais mexe com ninguém na vida.”

E até aí eu concordo com o Sakamoto. Até aí porque lá nas finaleiras ele dá uma dentro e uma fora:
“Por fim, como aqui já disse Claudio Picazio, psicólogo, especialista em sexualidade e violência doméstica, o homem precisa começar a entender que tem direito ao afeto, às emoções, a sentir. Passar a ser homem e não macho. O homem é programado, desde pequeno, para que seja agressivo. Raramente a ele é dado o direito que considere normal oferecer carinho e afeto para outro amigo em público. Manifestar seus sentimentos é coisa de mina. Ou, pior, é coisa de bicha. E bicha tem que ser exterminada pois subverte a figura que se espera do homem.
Bruno, Diego, já passou da hora de vocês saírem da sua zona de conforto e começarem a viver sem medo. É duro ouvir isso, mas o mundo não gira em torno dos pênis de vocês. Agora vai depender da competência do advogado caro que suas famílias irão contratar, mas – sinceramente – espero que fiquem o tempo suficiente longe do convívio social para poderem pensar e refletir bastante a respeito.”

Isso aqui não é não é necessariamente uma crítica ao texto ou a opinão, eu concordo. Mas eu fico cá no meu mundinho de 13 polegadas pensando se é essa a resposta que uma atitude dessas merece.
Comentários net afora em solidariedade ao rapaz agredido, tem – seguidos das doces mensagens de apoio – petardos como “apodreçam na cadeia”, “tem que matar uns caras assim” e por aí vai. E dá pra se incluir fácil nesse time, ou vai dizer que você que se indignou a notícia também não teve, escorregando pela mente, uma pontinha de desejo de vingança. É mais ou menos isso que eexpressa a imagem que ilustra o post, que circula nas redes sociais com a legenda: “Homofóbico: Vai lá, chama de veado.” [Pra quem não reconheceu, os dois da foto são os campeões de MMA, Anderson Silva e Rodrigo Minotauro.] Ou seja, “não vem com agressão pra mim, que eu tenho as mesmas armas que você”.
A resposta do Sakamoto, assim como acho que a minha seria, é aquela que pode ser tão reacionária quanto a agressão, cabe dentro dos limites da aceitação, mas que deseja uma certa dose de violência como resposta. O olho por olho.
Por agora eu vou morrer na pergunta, porque tenho certeza que sozinho eu não acho a solução: é essa a resposta que atitudes como essa merecem? E lógico que atos como esse não podem passar impune. Mas um problema que tem origem “nessa sociedade” não pode encontrar sua solução “nessa sociedade”, se é que me entendem. Essa solução talvez exija um pouco mais além de leis e dispositivos criados pelo mesmo sistema que criou o problema.
Mas esse texto é sobre a “ciência da persistência versus a preguiça e a descrença” e talvez BNegão esteja mesmo certo e o processo seja lento, mas ele precisa de neurônios, não de músculos.

Publicado em 05/12/2012, em Artigo, Coisonas, Notícias, Variedade. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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