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The Priest: o encontro de Burroughs e Kurt Cobain

William Burroughs Kurt Cobain The Priest They Called Him

“Tem algo errado com aquele garoto; ele fica zangado por nada.”William S. Burroughs sobre Kurt Cobain em 1993

Em 1993, Alex Macleod, manager do Nirvana levou Kurt Cobain para conhecer William Burroughs. Reunidos fisicamente os dois conversaram por algumas horas na casa do escritor, em Lawrence, no Kansas. Mas o encontro metafísico dos dois havia acontecido um ano antes, separados por quase 3 mil km de distância.
Em setembro de 1992 Burroughs entrou num estúdio no Kansas para gravar a narração do conto “The Priest, They called him”, publicado em 1973. Dois meses depois, Kurt adicionava a trilha sonora obscura e barulhenta em Seattle. O “encontro” foi registrado num EP de edição limitada em 93.
Nenhum conto de natal jamais foi tão perturbador quanto o do padre viciado em heroína que persegue uma mala de couro no meio de junkyes, tuberculosos, mendigos, mergulhado na microfonia angustiante das canções de natal da guitarra de Kurt Cobain.

PS.: A foto da capa do release é do Gus van Sant.

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No mesmo ano a narração de Burroughs foi transformada num curta, produzido por Francis Ford Copolla.

O TOP 50 álbuns do Kurt Cobain

Na real, como tá intitulado, é o Top50 do Nirvana, mas na letrinha do Mr.Cobain.
Força da influência, ou não, uma lista minha teria umas boas pinçadas dali.
Já tinha ouvido falar que Kurt pirava no debut dos Breeders, mas ainda assim fiquei de cara dele aparecer lá no topo, colado com Surfer Rosa.

[4:20] Ah, Kurt, seu fanfarrão…

[Foto] Frances Bean Cobain por Hedi Slimane

Lembra dessa bebezinha? Kurt Cobain with daughter Frances Bean Cobain outside of the 10th Annual MTV Video Music Awards on September 2, 1993 in Universal City, California.
Então… o tempo passa. As fotos são do Francês Hedi Slimane e tem mais no blog dele. O blog ainda contém um set belíssimo com fotos da Amy Winehuose divulgados recentemente… vale a vista.

“Você nunca fará 28” – Em anúncio da agência AlmapBBDO, Morte refuta o mito dos 27

Um anúncio bem humorado criado pela agência AlmapBBDO deverá aparecer na edição de agosto da revista Billboard Brasil, refutando o mito da morte dos ídolos aos 27 anos. Uma carta da “Morte” indignada com o misticismo em torno dos astros que morreram aos 27, diz que a parada não tem nada a ver com a idade, é apenas a “ingrata” montando seu playlist. Té que tá bacana. O texto é de André Kassu e a arte de Arthur d’Araújo e Tiago Pinho. Você nunca vai fazer 28.

Você nunca vai fazer 28.

Oh, agora vocês falam de uma maldição dos 27 anos. Misturam teorias conspiratórias, buscam explicações na numerologia, apelam para a astrologia. Então, eu levaria Jim Morrison e Jimi Hendrix pelo simples fato de que eles nasceram sob o signo de Sagitário? Poupem-me.

Mistificar o simples é algo tão humano que me traz uma sensação rara: sorrir. Resolvi, portanto, dar algumas respostas. Não é isso que vocês vivem procurando?

Antes de qualquer coisa, Brian Jones foi um engano. Logo, toda a teoria da maldição dos 27 é baseada em um erro. Um erro primário, confesso. O meu alvo era Keith Richards, mas estava em uma péssima noite. Adoro Brian, ele é muito talentoso, acredite, pois o ouço todos os dias. Não tinha motivos para levá-lo. Ele tinha sido expulso da banda, estava triste e minha encrenca era com Mick e Keith. Muito por causa daquela canção Sympathy for the Devil. Eu adoraria que aqueles versos tivessem sido escritos para mim. Então, resolvi usá-los contra Keith. Cheguei cantando: Please allow me to introduce myself, I’m a man of wealth and taste, I’ve been around for a long, long years… Mas atingi Brian. Em troca, dei a Keith todos os anos de vida que Brian teria direito. E isso, apenas isso, explica o fato dele estar vivo. Ele não é um sobrevivente, eu que me senti culpada. Ele pode subir em coqueiros, tomar doses cavalares de bebida e continuar andando, porque eu, um reles imortal, cometi um pequeno deslize.

Voltemos aos fatos como eu vivi, ou morri. Jimi Hendrix veio depois. Mas preste atenção nessa letra: angel came down from heaven yesterday, she stayed with me just long enough to rescue me. Ok, não sou um anjo. Mas entendo a metáfora como quiser e levei ao pé da letra. Achava que era comigo que ele estava falando. Aproveito para acabar com um dos mitos que me cercam. Jimi Hendrix não toca com Stevie Ray Vaughan, nem faz jam sessions com Charlie Parker. Seria injusto ouvir algo que você, mortal, nunca ouviu. Sim, eu tenho um senso de justiça. Ou você acha que é à toa que inúmeras versões inéditas surgem após a morte? Que, por décadas, esses artistas mantenham a presença nos rankings de venda? Eu simplesmente sei criar um mito. Ah, se eu gostasse tanto do número 27 teria levado Stevie Ray com essa idade. E aí, sim, teríamos uma grande teoria.

Janis Joplin? Ela cantava Farewell Song. Preciso explicar muito? E, cá entre nós, acho que a sua voz não continuaria a mesma. E seria doído vê-la cantando pior. Há uma outra questão humana. Com tanto artista ruim, porque eu levo os melhores? Bem, em que momento vocês imaginaram que eu teria mau gosto musical? Eu simplesmente gosto de boa música.
Depois tem o menino Jim Morrison. Eu sou discreta, chego sem esperar. Mas quando ouvi “The End” pensei: esse rapaz sabe que eu estou chegando. E gosto de me imaginar como o beautiful friend da letra. Ver The Doors em turnê com outros cantores quase me traz um arrependimento. Ele não merecia isso. E Val Kilmer? Pensei em adiantar a vinda de um certo diretor só por essa escolha. Mas com Jim, senti que os 27 seriam um assunto. E isto foi algo pensado. Pela primeira vez, até então. E descansei. Gary Thain do Uriah Heep? Alan Wilson do Canned Heat? Pigpen do Grateful Dead? Ah, não me subestime. Todos ao acaso. Não fosse a busca pela internet, você não conseguiria ligar um assunto ao outro.

Tive muito trabalho nesse tempo. Levei grandes do reggae, o rei do rock, pelo menos uma dúzia de rappers, o menino Lennon e o maior ídolo pop de todos os tempos. Eternizei lendas, marquei seus lugares na história. E aí, vem a tal maldição dos 27 com Kurt Cobain. Sério? O cara canta: I hate myself and I want to die, Come on death e vocês acham que ele se foi por causa dos 27? Eu simplesmente adorava a audácia desse rapaz. Gostava como ele escrevia canções para mim. Vocês não sabem, mas me doeu tanto que vesti xadrez por um mês em luto. Em troca, lhes deixei o Dave Grohl repleto de ideias. E, mais uma vez, diversos takes inéditos do Nirvana.

E agora, vocês lamentam pela Amy. Fazem novas conjecturas com os 27. Uma explicação: ela era simplesmente muito talentosa. Você não escolhe o seu playlist? Eu também. E, de quebra, preservei sua voz em Back to Black. Com o tempo, vocês esquecerão a imagem de uma artista em decadência física e se lembrarão apenas de sua grande voz. Por isso, ela não fez 28.
Encerrando: não me importa 27 ou 42. Ah, você em suas crenças não se tocou que Peter Tosh e Elvis morreram com 42? A morte é o meu trabalho, apenas. E eu não acredito em superstições. Último pedido? Olha que ironia, eu falando em último pedido. Se é para fazer uma versão de uma canção de alguém que eu levei, que seja realmente boa. Eles raramente se sentem homenageados. Digo-lhes com conhecimento.
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PS: Não comentei sobre Robert Johnson porque temos um acordo.”

Via PropoMark

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