Arquivos do Blog

[4:20] God save the PANTONE queen…

O pior é que é real… criado pelo designer inglês Leo Burnett.

Anúncios

E o Banksy deu as caras no @Occupy London…

Tão dizendo que o Monopoly falido aí é do cara…

E aí?! Topa dar uma banda de ônibus em Londres?

Sabe que eu já pensei em fazer uma parada dessas… mas a preguiça me consome. Muito massa a ideia desse cara, Moritz Oberholzer, o resultado é simples, delicado, observador… embarca aê.

“Foi um motim de consumidores excluídos” – Londres por Zygmunt Bauman


Impressionante como a grande mídia nacional insiste em tentar salvar a pele do governo inglês. Repetidas tentativas de desqualificar os revoltosos ingleses em detrimento de discutir ou expor os verdadeiros estopins da revolta vão criando cada vez mais um cenário que justifica medida afirmativas, autoritárias e fascistas. A bola da vez foi o teórico líquido Zygmunt Bauman, em entrevista ao Globo. Entre certo e errado o que fica é um discurso “fika fraw mafrein… ssaparada vai passar”. E diz o polaco: “Qualquer que seja a explicação dada por esses meninos e meninas para a mídia, o fato é que queimar e saquear lojas não é uma tentativa de mudar a realidade social.” Será? “Eles não se rebelaram contra o consumismo, e sim fizeram uma tentativa atabalhoada de se juntar ao processo”. Talvez eles estejam certos, Pan Bauman. Basta lembrar que desde Mrs. Tatcher que assistimos a rainha desfilar incólume com suas aberrações… Confere integral

Quem são os revoltosos na Inglaterra…

É mais ou menos sobre isso que eu tava falando. Mas tem mais coisa, principalmente sobre esse comportamentozinho da mídia tupy que engole tudo e não se engasga. Fica ligado, farão três vezes a mesma pergunta. Pra quem não sabe o Caccia Bava é editor do Le Monde Diplomatique Brasil, na minha mísera opinião uma das melhores revistas (jornal, ele chama assim) de articulistas do Brasil – aliás a deste mês tá foda! Ele já esteve em palestra aqui na província. Não viu? Perdeu!

Sobre a Inglaterra, o Brasil e de como somos embalados pela imprensa

Fresh riots 'only a matter of time'

Ontem sentei pra dar uma olhada mais dedicada nas manifestações britânicas. De lá pra cá uma nova, o primeiro ministro britânico, David Cameron, anunciou as medidas previstas para os próximos dias. Cameron é um conservador, suspendeu suas férias na segunda por que no sábado Londres estava literalmente em chamas. Dentre as medidas anunciadas, a mais reivindicada pelos seus colegas de compota é a colocação do exército nas ruas, medida que nós brasileiros conhecemos bem, os moradores dos morros cariocas melhor ainda. Famílias cujos integrantes participaram, foram presos ou fichados por participar das ações rua poderão perder benefícios sociais. Centenas de pessoas terão suas caras estampadas em cartazes de recompensa pululantes na TV a partir de hoje. A criminalização imediata de algo que sequer o governo britânico sabe o que é.
A mais assustadora das medidas é o monitoramento das redes sociais. O governo prevê a criação de um grupo integrado pela polícia e membros do MI-5, o serviço secreto inglês, para acompanhar, interceptar, cortar ou suspender o acesso a redes sociais: “O dispositivo seria colocado em ação quando as autoridades tiverem informações de que estão planejando violência, desordem e criminalidade”, disse o premiê. Tá, mas e aí, como se descobre quem irá confeccionar os coquetéis molotovs dentre os mais de 27 milhões de usuários do facebook britânico, por exemplo? Monitorando todo mundo.
Essa ideia assusta e não é pra menos. Com a internet, o mundo inteiro teve, pela primeira vez na história acesso “irrestrito” a um valor humano fundamental: a comunicação. O memes contemporâneos são prova de que a explosividade da ação social reside na interação humana. Os benefícios ou malefícios dos usos da rede são unicamente exercício da comunicação e da interação.
A perda do controle é o medo que percorre a espinha de qualquer conservador. Para o governo inglês a sociedade britânica está “dividida” pelo desrespeito à autoridade dos pais e do poder público. Nisso, corre o boato de que Bill Braton, ex chefe de polícia de Nova York, criador do programa tolerância zero prestará consultoria aos britânicos. Uma “sociedade democrática” suprimindo a tolerância? Não é só contradição, é hipocrisia.
O início desse ano marcou o fim do EMA, sistema de subvenção à educação que concede bolsas de estudo aos jovens entre 16 e 18 anos. Não surpreende que cerca de 50% dos participantes nos levantes sejam menores de idade, como informou a Scotland Yard. O índice de desemprego juvenil é recorde. Dos jovens com menos de 25 anos, 951 estão desempregados, com um aumento de mais de 30 mil somente no último trimestre de 2010. Desses, 240 mil são jovens entre 16 e 17 anos. A taxa de desemprego é uma das maiores desde 1992, só perde para 2008, quando atingiu mais 1,5 milhão de ingleses.
Entre marolas e tsunamis a rainha assistiu de perto o maremoto grego e se preparou. A crise ecônomica afetou a Inglaterra diretamente e o principal reflexo (além do desemprego) foram as reformas previdenciárias. Assim como no Brasil a culpa é dos aposentados. As pensões estatais britânicas são as mais baixas da Europa, cerca de 30% da média salarial. Cerca de 2,5 milhões de aposentados vivem abaixo da linha de pobreza e 60% dos casais pensionistas vivem com renda inferior $15 mil Libras anuais (cerca de R$ 3.000 mensais). No ano passado os ingleses foram às ruas para impedir a reforma previdenciária que aumentaria a idade de aposentadoria de 65 para 66 anos. Segundo o governo britânico a medida geraria uma economia de 1,8 bilhão de libras por ano. Os bancos ingleses receberam do 950 bilhões de libras do governo para salvá-los das últimas tormentas econômicas. No último ano a média de reajuste dos salários ingleses foi de 2% no ano, enquanto a inflação ultrapassou os 5%.
Informações como essas invadiram os jornais desde 2008 na Inglaterra e no mundo. Agora elas dividem as capas com bairros em chamas, lojas saqueadas, levantes populares e isso é mera coincidência? O governo britânico e e mídia tradicional insiste em excluir motivos paras as manifestações. Mais 1700 pessoas foram presas em todo o país, 600 só em Londres. Imagens de TV e as capas dos periódicos estampam grupos de milhares em Londres, Manchester, Birmingham e mais sete cidades. O cinismo da grande mídia leva a uma conclusão: a Inglaterra é um país de afogados travestidos de polidez e pontualidade.
Os porta-vozes do governo falam agora de medidas de efeito, porque segundo eles, é o que os londrinos querem ver – LONDRINOS. Nas entrelinhas os revoltosos não são londrinos ou tampouco ingleses. Das fotos de “procurados” que circulam em caminhões-outdoors ambulantes pelas ruas de Londres se destacam “homens do sul da Ásia” e “jovens negros”. A cidadania é conceito obsoleto na democracia britânica e a xenofobia é a primeira febre do fascismo.
A tradução dos conflitos da mídia tupy lança tijolos na Babel inglesa. A arruaça, como denominou William Wack, gerou uma das fotos mais reproduzidas na semana, a da polonesa resgatada pelo romeno, do fogo provocado pelos arruaceiros que não reivindicavam nenhuma questão social, eram apenas criminosos e não ingleses. “Três dos quatro mortos eram imigrantes paquistaneses”. “Uma foto resumiu tudo”. Não ingleses.
É impossível olhar duas manchetes – uma cidade em chamas e um colapso econômico – no mesmo dia, no mesmo jornal e não traçar paralelos. O jornais já conseguiram “outonar” a primavera árabe. Esta semana já pode ser considerada a semana dos centenas de milhares. Domingo, 350 mil nas ruas em Tel Aviv. Segunda, a London Riot se espalha pelo país. Terça, 150 mil estudantes vão às ruas em Santiago, Chile. Nada disso é gratuito.
Talvez no falte algum foco, objetivo, mas jamais motivo. Há decadas que se repete que a ostentação e abundância escorre nas mãos de poucos e a miséria se reparte nas vidas de muitos e nós continuaremos acreditando que não há motivo.

[Tumblr do dia] Enquanto isso em Londres…

Tem mais lá no photoshoplooter

Enquanto isso em Londres…

[imagem] Londres 2011-2012

Panic on streets of London, panic on streets do Birmingham…

Ontem o London Riot chegou a Birmingham. Alguns comparam à “Primavera Árabe”. Se pá, acho que é outra coisa, apesar de ter começado como no Egito. Incrível é ver a imprensa mundial (destaque para a brasileira) ingnorar sumariamente as razões de manifestações desse tamanho. Na terça, o The Guardian publicou um antes e depois dos locias destruídos pelas manifestações, dá pra ter uma ideia do estrago. London Burning Desde o início da semana pipocam no youtube vídeos da manifestações e mais um a vez as redes sociais são a vedete motivadora e responsável pela organização das atividades. Me parece que, assim como durantes o ápice das revoltas árabes, as redes estão mais para nós espectadores do que para eles. É inevitável e inegável que o meio digital acelera e garante a comunicação a organização dos atos, mas em Londres há sinais que a coisa é bem mais organizada do que tem se tentado mostrar. O panfleto abaixo dá indicações em caso de você ser um suspeito de participar dos movimentos.
Há uma diferença sensível em fazer manifestações em Londres: a polícia não utiliza bombas, armas de fogo ou similares. A grande notícia da semana, além do aumento do contingente policial de 6 mil para 16mil homens, foi a liberação do uso de balas de borracha pela polícia. O que não é nem um pouco menos repressor, mais humano ou afim. O jornal The Sun publicou na capa de quarta, rostos de manifestantes acusados de serem líderes do movimento. As imagens foram capturadas por cameras de segurança. Como dizia o panfleto acima, as armas são outras, ou as vezes as mesmas, como aparece no ataque policial registrado baixo, feito em Manchester na noite de quarta. Mas a galera também botou a polícia pra correr, literalmente… De toda forma os conflitos na Inglaterra, espalham-se mais e mais pelo país. O governo acusa até mesmo grupos estadunidenses de terem organizado gangs para colocar o país num caos anárquico. Me é difícil interpretar isso de forma tão rasa, ou até conspiratória. A crise econômica tem pego a Europa toda pelo calcanhar. Desde 2007, vários grupos menores tem se manifestado nas periferias inglesas pela falata de infraestrutura, educação, saúde, emprego e renda. Num todo, o movimento não é novo. A crise é cenário e esses “ataques à ordem da cidade” são o primeiro nó, dos primeiros vinte minutos de uma filme de ação bem contemporâneo.

%d blogueiros gostam disto: