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O novembro negro da USP

Se alguém ainda tem alguma dúvida quanto ao que está rolando na USP, eu dou uma certeza: é fascismo. Nada justifica as ações, o cerco e a permanência da polícia no Campus. Desde a assembleia que decidiu pela ocupação da reitoria foi possível ver a divisão entre grupos e centros acadêmicos. A votação apertada que decidiu pela greve, ou a minoria de 3 mil alunos que compareceu à assembleia não justifica nenhuma ação policial e para os “democratas” de plantão, isso é democracia. Enquanto isso ninguém cobra a obrigação do reitor da universidade em dialogar com os estudantes.
E as ações do reitor não param na omissão. Grandino Rodas já demitiu quatro dirigentes sindicais em atuação na USP, duas funcionárias e expulsou um aluno, pela participação nas atividades, com o claro objetivo de atacar a organização de qualquer tipo de oposição ao seu despotismo fascistóide. Em nota o Sindicato dos Trabalhadores da USP já aponta que o confronto apenas começou:

“O maior crime de Rodas é a criação de uma apartheid entre estudantes, os contra e os a favor da PM no campus, promovendo assim a criminalização e queimação da imagem dos estudantes.
Temos claro que, diante do ocorrido, esta universidade está conflagrando e o confronto apenas começou.
A USP agora exige que os estudantes sejam tipificados e indiciados por: formação de quadrilha, danos ao patrimônio, desobediência e crime ambiental.
Por tudo isso declaramos que este reitor não tem mais condições morais ou políticas de continuar à frente da Universidade.”

E a covardia da reitoria surpreende não só com a PM. Em entrevista a Rádio Estadão o reitor afirma que os os reitores, pró-reitores e assessores estão trabalhando em um “local secreto” já previamente preparado para este tipo de situação (ouça aqui na íntegra):

Rodas: “Nós estamos trabalhando… Nós temos vários lugares alternativos (…) Portanto hoje, nós todos, reitoria, pró-reitorias, todas já tem desde o ano passado, locais para que se possa trabalhar nesses casos específicos. Porque a universidade não pode parar. Nós estamos trabalhando em locais alternativos.
Entrevistador: “Não é bom nem revelar o local”
Rodas: “Não é que não é bom, não é necessário.”

O que não merece ser debatido a partir de agora é o mérito dos estudantes nas suas reivindicações. Se estudantes devem ou não fazer greve, essa é uma questão eles devem decidir. Se ocupa ou não, se vota ou não, a resposta é simples: o problema é deles. Mas o que nós não podemos admitir é mais um dia de polícia campus e a omissão do reitor.
O problemas políticos entre os alunos será um problema que eles tem a obrigação de carregar enquanto existir uma sociedade democrática. Aqueles que não concordam, compulsoriamente estão do lado do reitor e de suas atitudes totalitárias. Não querem enfrentar as diferenças e querem criar um mundo ao redor de seus umbigos ideológicos.
Dentre suas barbaridades cotidianas, Reinaldo Azevedo disse uma verdade, a “maioria” silenciosa da USP deve se manifestar. Não é hora de ficar em cima do muro. Aliás, o muro tem dono, a imprensa calhorda já o comprou e se aproveita dele pra rotular a “minoria baderneira”. E logo logo vai alugá-lo, pra servir de alvo de tiro pra PM. Pra quem quiser aprender, o G1 deu uma aula de como fazer jornalismo tendencioso. Você publica o vídeo da PM e transcreve os vídeos dos estudantes (assista aqui).
Pra quem quiser informação decente a respeito da USP, o Jornal Brasil de Fato tá fazendo uma cobertura digna. Segue o link.

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