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HIATO: um documentário sobre o primeiro rolezinho em 2000

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Em agosto de 2000 um grupo de manifestantes organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul carioca. Em 2008 o diretor Vladimir Seixas reencontrou os sem teto que organizaram o rolê de mais de duas mil pessoas. Com entrevistas e imagens da cobertura feita pela TV, HIATO taí pra mostrar que rolezinho não é novidade e preconceito também não.
Há uma diferença nos objetivos dos eventos de 2000 e dos atuais, mas não tem como negar que o efeito é o mesmo. Enquanto o primeiro foi um recado, o segundo é a tomada do espaço. Não dá pra esquecer que os rolezinhos começaram a ser organizados porque os bailes funis foram proibidos. É sempre uma resposta.
Impossível não comparar o rolezinho com o Occupy Wall Street, ambos são violentos por serem pacíficos, porque não infringem as regras, exceto as regras invisíveis da discriminação.

PS.: O quadro do Angeli ali em cima foi na veia, né não?!

E a festinha de Natal do Occupy London, com o Thom Yorke e o 3D, hein?!

Massa essa interação de expoentes culturais como o Radiohead, Sonic Youth, RATM e o Massive Attack com os “Occupy”, vale a pena ouvir os comentários e as posições do Thom Yorke e do Robert ‘3D’ Naja, mas…. cara… que festinha de natal essa com com Thom e 3D nas pickups, hein?!
Lá no “OWS” quem deu as caras foi o Lee Ranaldo, com altas fotos…

“Gás de pimenta para temperar a ordem”

A frase de Jorge du Pexe vai se tornando profética. Sexta foi a vez da galera na porta do Campus Davis, da Universidade da Califórnia, em apoio ao Occupy Wall Street. A desfaçatez da violência é a violência que mais choca.

Barack Obama e a democracia: um meme.

Tradução minha, original aqui. Obama e a democracia: um meme

Occupy Wall Street: “Não dá pra expulsar uma idéia que já está aí”

Os caras foram expulsos na terça e retornaram na quinta e agora? Comé que vai ser? O título do posto é a frase final do manifesto que eles lançaram na terça, confere aqui…

[Infográfico] Occupy Wall Street em números…

Não se esgotaram ainda as críticas ao OWS, então lá vai a minha. Como sempre, há pelo menos uns cinquenta anos, tudo que vem dos EUA, ou vem narrado like BBC é supervalorizado. Talvez por isso nós damos tanta atenção aos Occupys e colocamos um pouco de lado o que, ainda, tá rolando no Chile, a contra-revolução da Tunísia e os panos quentes egípcios. Mas como tudo que incomoda tende a ser suprimido dos noticiários, o OWS tá caindo no cotidiano e assim vai se aconchegando numa zona de conforto, tanto nosso quanto dos 1%.
Mas o que não dá pra deixar de perceber – lembro sempre do hype – é que o OWS não morre e tem peculiaridades nutritivas. Aí embaixo tem um dos bons resultados do movimento: informação. No quesito que talvez seja a peça chave de que qualquer movimento de massa daqui pra frente, os caras do Zuccotti Park tão ensinando muita coisa.

Douglas Rushkoff: “Occupy não é um movimento, mas um protótipo”

OWS Journal O que é o Occupy, a pergunta ainda persiste. Talvez persista porque de fato nós não o entendemos. E além da nossa incredulidade diante da novidade, diariamente, qualquer levante contra a ordem é recebida com um bombardeio de demérito e depreciação por parte da nossa tão democrática imprensa. O que pouca gente – pelo menos aqui do Brasil – tem feito, é tentar entender ou acompanhar o que tá rolando nas barracas da Wall Street nos últimos 45 dias. Segundo o Ocupationalist o movimento tem aumentado. Uma série de atividades multidisciplinares tem rolado diariamente. Debates, ideias, construções, compartilhamento de dados e informações fazem parte do cotidiano do movimento. Douglas Rushkoff, pensador de mídia estadunidense fez a sua leitura do “protótipo” que o OWS parece ser. Não sei se eu chegaria tão longe no hype, ou quem sabe não é hype. É possível que de fato não consigamos acompanhar nem entender o que se passa em Nova Iorque. Tá aí o texto na íntegra, a tradução veio lá do Implosão, do original publicado na CNN. Tire suas conclusões…

“Occupy Wall Street não é um protesto, mas um protótipo” por Douglas Rushkoff

Quanto mais familiar torna-se algo, menos ameaçador nos parece. É por isso que as simpáticas imagens de estudantes universitários marchando pela Broadway ou garotos sem camiseta tocando tambores são parte do que vemos do movimento “Occupy Wall Street”. Os corretores da bolsa observam por detrás das barricadas da polícia, e o que parecia ser mais um movimento de protesto se estende por um dia, uma semana, um mês.

Mas “Occupy” é qualquer coisa menos um movimento de protesto. É o que tem dificultado às agências de notícias expressar ou mesmo discernir a “demanda” crescente de legiões de participantes do Occupy pelo país, ou até pelo mundo. Como acontece com todo mundo no planeta, os ocupantes podem querer que muitas coisas aconteçam e que outras coisas parem de acontecer, mas a ocupação não é sobre exigências. Eles não querem nada de você, e não há nada que você possa fazer para detê-los. Isto é o que faz Occupy tão estranho e promissor. Não é um protesto, mas um protótipo de um novo estilo de vida.

Mas não me levem a mal. Os ocupantes não propõem que vivamos todos na calçada e durmindo sob abrigos precários. De qualquer forma, a maioria de nós não teria a coragem, vigor ou força moral pra dar um duro tanto quanto esses caras estão dando. (Sim, eles estão dando um duro maior do que qualquer mineiro ou agricultor pudessem entender.) Os acampamentos de sobrevivência urbanos que eles estão montando pelo mundo na realidade são mais como congressos, ou pequenas zonas de experimentação de ideias e comportamentos, que talvez mais tarde implementaremos em nossas comunidades, e do nosso jeito.

Os ocupantes estão forjando uma robusta micro-sociedade de grupos de trabalho, cada um descobrindo novos pontos de vista – ou revivendo alguns antigos – para os problemas vigentes. Por exemplo a Assembleia Geral, uma maneira flexível de discussão em grupo e construção de um consenso. Mas, ao contrário das regras parlamentares que promovem o debate, a diferença e a decisão, a Assembleia Geral dá vida a novos elementos. A coisa toda é orquestrada pelos simples gestos das mãos. Os tópicos são priorizados por importância, e todo mundo tem a oportunidade de falar. Até depois dos votos as exceções e objeções são incorporados como emendas.

Essa é apenas uma razão pela qual os ocupantes parecem incompatíveis com as ideias atuais sobre a demanda política, ou a luta da direita contra a esquerda. Eles não estão interessados em debater (ou o que os filósofos do Renascimento chamavam de “dialética”), mas sim no consenso. Estão trabalhando para ir além do sistema binário de operação política, um sistema do século XIII, onde o vencedor leva tudo. Como os desenvolvedores de software, eles estão aprendendo a “lançar antes e lançar sempre”.

Do mesmo modo, os ocupantes adotaram a solução de internet do Free Network Foundation, que ergueu “Freedom Towers” nos acampamentos de Nova York, Austin e em outros lugares, através das quais as pessoas podem acessar Wi-Fi gratuito, sem censura e autenticado. Quando esta tecnologia chegar às nossas comunidades, o que acontecerá com os provedores de internet corporativos, ninguém sabe.

Os ocupantes têm formado grupos de trabalho para enfrentar uma miríade de problemas econômicos e sociais, e a maioria dos acampamentos têm servido como laboratórios de soluções para o que vem por aí. Um grupo está estudando uma moeda complementar para ser utilizada, em princípio, dentro da rede de comunidades do movimento. A eficácia disto será testada e melhorada pelos ocupantes a fim de prover uns aos outros com bens e serviços, antes que ela seja liberada aos outros ao redor do mundo. Outro grupo está incitando as pessoas a tirarem seu dinheiro dos bancos no próximo dia 5 de novembro, e fazer a transferência para bancos locais ou cooperativas de crédito.

Concorde ou não com o que precisa mudar na sociedade moderna, nós precisamos pelo menos entender que os ocupantes não são um mero movimento político, nem ao menos garotos preguiçosos dando uma desculpa pra não trabalhar. Pelo contrário, eles sabem da inutilidade de usar as ferramentas de uma sociedade competitiva, onde o ganhador leva tudo, e que seria mais adequado usar as ferramentas de ajuda mútua. Esse não é um jogo onde alguém ganha, mas uma forma melhor de jogar, em que mais gente se une e o jogo dura mais tempo.

Eles triunfarão na medida em que vários modelos que estão usando como protótipos sobre a calçada permeiem desde aqueles que estão trabalhando nas soluções até o conforto de nossos lares e escritórios. Pois se chegarmos a adotar ou ao menos considerar opções tais como produção e comércio local, cooperativas de crédito, acesso livre às tecnologias de comunicação e uma democracia realmente sustentada por um consenso, então todos nós nos converteremos em ocupantes.

‘Eu não estou me movendo’ o minidoc do @Occupy Wall Street (legendado)

Pra quem ainda não viu o minidoc do @OWS, taí denovo e agora legendado. Vale a pena…

Por falar em Occupy… Como um homem enfrentou 30 policiais.

As vezes uma simples pergunta não tem resposta.

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