Arquivos do Blog

O ônibus surreal de Paul Kirchner

The BUS

Entre 1979 e 1985 o quadrinista Paul Kirchner assinou na histórica Heavy Metal Magazine, uma tira quinzenal, the bus, assim, meticulosamente em minúsculas. Um passageiro recorrente cotidianamente toma seu ônibus e alimenta itinerários absurdos, repleto de indecisões existenciais em cenários que parecem as cenas de MC Escher com roteiros que caberiam como episódios do Twilight Zone.
Ao todo, são 73 tiras que já foram reunidas em livro e agora a editora francesa Tanibis promete uma nova série, ainda sem data de lançamento. Confere algumas aí embaixo e o livro todo tá aqui!

stageset_bus_234982342

jail_bus_203984171

cat_bus_2304923842

Já viu a mensagem de Ano Novo do Alan Moore?

Alan Moore
Pena que eu só vi essa parada hoje, deveria ser o primeiro post do ano, com mérito e honras. Moore tem aparecido bastante por aí ultimamente. Principalmente depois da, merecida, espinafrada que ele deu no Frank Miller, após suas declarações sobre o Occupy Wall Street. Além disso tudo, me impressiona como Alan Moore tem concentrado os motivos que rodeiam o senso comum contemporâneo. Desde os impulsos anarquistas de V, que o despacharam de uma vez por todas ao mainstream, até seus recentes monólogos sobre religião vs. ciência, digno de um “homem anfíbio” que vive sua genialidade clássica numa realidade pós-humana.

“Olá a todos. Meu nome é Alan Moore e eu ganho a vida criando histórias sobre coisas que nunca existiram. Quanto às minhas crenças espirituais, elas remontam a um deus-serpente com cabeça humana do século II chamado Glycon, que foi revelada como sendo, na verdade, um boneco de ventríloquo, há quase dois mil anos. Encontrado em todo o Império Romano, Glycon foi a criação de um empresário conhecido como Alexander, o Falso Profeta, um nome terrível para se começar qualquer negócio. O boneco tinha corpo de jiboia de verdade, viva, e sua cabeça artificial tinha olhos grandes e um longo cabelo loiro. Glycon se parecia bastante, na verdade, com Paris Hilton, mas talvez mais adorável e com um corpo biologicamente mais verossímil. Visual à parte, meu interesse pelo deus-serpente é puramente simbólico. Na verdade, esse é um dos símbolos mais antigos da humanidade, que significa sabedoria, ou, de acordo com o etno-botânico Jeremy Narby, o próprio formato da espiral de DNA. Mas eu também estou interessado em ter um deus que é assumidamente um boneco de ventríloquo. Afinal de contas, não é assim que usamos a maioria das novas divindades? Podemos ler nossos livros sagrados e escolher uma passagem ambígua específica e uma interpretação em detrimento de outra e podemos fazer nossos deuses justificarem assim qualquer desejo imediato. Podemos fazê-los dizer o que quisermos. A maior vantagem de endeusar um boneco de meia de verdade e que, se as coisas começarem a fugir do controle, ou parecerem injustas, você pode jogá-lo na gaveta. E ele não tem opção a não ser ir para a gaveta. Bom, em nome de Glycon e eu, tenham todos um Ano Novo muito feliz.”

O texto foi veiculado na BBC Radio 4. A tradução vem lá do Omelete.

Hola de partir…

Triste essa história do… … Cebolinha e da Mônica.
Pira do Gus Morais

%d blogueiros gostam disto: