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O real objetivo da PM no campus da USP

A saga Grandino Rodas continua na USP. O título aí de cima não é exagero, porque violência do policial do vídeo é só uma parte do problema. Essa história de “você não é aluno” segue o rumo até o “você não é daqui” e estoura no essa “cidade é pequena demais pra nós dois”. Be, vindos ao fascismo do século XXI, porém, com a mesma cara de sempre.

Enquanto isso na USP…

“Atenção drogado: se o convênio USP-PM acabar, nós que iremos patrulhar a Cidade Universitária!”

Facismo na USP

Nem é preciso dizer que o culpado disso tudo é um cara bem rodado, né não. O aparecimento oportunista de grupos radicais, facistas e intolerantes é fruto da falta de diálogo democrático, que Grandino Rodas eliminou com bombas de gás.
A sociedade ainda se vale de informações “oficiosas” na busca pela ordem social, de modo que o exercício democrático da transigência e da pluralidade são marginalizadas na carapuça da desordem. Em entrevista ao Reinaldo Azevedo, Rodas diz que “a sociedade paulista está farta de invasões”. Num quadro desses, em que imprensa e reitoria polarizam um sério debate, que diz respeito à qualidade do ensino na USP, a “manutenção da ordem” passa a ser a bandeira comum da desinformação, da ignorância, da intransigência, do oportunismo, da radicalização, da intolerância e do fascismo – tendo isso quase como uma escala crescente.
E no campo da inversões, o que nós veremos é a intolerância escudada pela polícia e a os gritos democráticos sendo sufocados por bombas de gás.

O novembro negro da USP

Se alguém ainda tem alguma dúvida quanto ao que está rolando na USP, eu dou uma certeza: é fascismo. Nada justifica as ações, o cerco e a permanência da polícia no Campus. Desde a assembleia que decidiu pela ocupação da reitoria foi possível ver a divisão entre grupos e centros acadêmicos. A votação apertada que decidiu pela greve, ou a minoria de 3 mil alunos que compareceu à assembleia não justifica nenhuma ação policial e para os “democratas” de plantão, isso é democracia. Enquanto isso ninguém cobra a obrigação do reitor da universidade em dialogar com os estudantes.
E as ações do reitor não param na omissão. Grandino Rodas já demitiu quatro dirigentes sindicais em atuação na USP, duas funcionárias e expulsou um aluno, pela participação nas atividades, com o claro objetivo de atacar a organização de qualquer tipo de oposição ao seu despotismo fascistóide. Em nota o Sindicato dos Trabalhadores da USP já aponta que o confronto apenas começou:

“O maior crime de Rodas é a criação de uma apartheid entre estudantes, os contra e os a favor da PM no campus, promovendo assim a criminalização e queimação da imagem dos estudantes.
Temos claro que, diante do ocorrido, esta universidade está conflagrando e o confronto apenas começou.
A USP agora exige que os estudantes sejam tipificados e indiciados por: formação de quadrilha, danos ao patrimônio, desobediência e crime ambiental.
Por tudo isso declaramos que este reitor não tem mais condições morais ou políticas de continuar à frente da Universidade.”

E a covardia da reitoria surpreende não só com a PM. Em entrevista a Rádio Estadão o reitor afirma que os os reitores, pró-reitores e assessores estão trabalhando em um “local secreto” já previamente preparado para este tipo de situação (ouça aqui na íntegra):

Rodas: “Nós estamos trabalhando… Nós temos vários lugares alternativos (…) Portanto hoje, nós todos, reitoria, pró-reitorias, todas já tem desde o ano passado, locais para que se possa trabalhar nesses casos específicos. Porque a universidade não pode parar. Nós estamos trabalhando em locais alternativos.
Entrevistador: “Não é bom nem revelar o local”
Rodas: “Não é que não é bom, não é necessário.”

O que não merece ser debatido a partir de agora é o mérito dos estudantes nas suas reivindicações. Se estudantes devem ou não fazer greve, essa é uma questão eles devem decidir. Se ocupa ou não, se vota ou não, a resposta é simples: o problema é deles. Mas o que nós não podemos admitir é mais um dia de polícia campus e a omissão do reitor.
O problemas políticos entre os alunos será um problema que eles tem a obrigação de carregar enquanto existir uma sociedade democrática. Aqueles que não concordam, compulsoriamente estão do lado do reitor e de suas atitudes totalitárias. Não querem enfrentar as diferenças e querem criar um mundo ao redor de seus umbigos ideológicos.
Dentre suas barbaridades cotidianas, Reinaldo Azevedo disse uma verdade, a “maioria” silenciosa da USP deve se manifestar. Não é hora de ficar em cima do muro. Aliás, o muro tem dono, a imprensa calhorda já o comprou e se aproveita dele pra rotular a “minoria baderneira”. E logo logo vai alugá-lo, pra servir de alvo de tiro pra PM. Pra quem quiser aprender, o G1 deu uma aula de como fazer jornalismo tendencioso. Você publica o vídeo da PM e transcreve os vídeos dos estudantes (assista aqui).
Pra quem quiser informação decente a respeito da USP, o Jornal Brasil de Fato tá fazendo uma cobertura digna. Segue o link.

[MiniDoc] Como se fabricam marginais e a onda facistóide que avança no país…

Tem um clima facistóide se espalhando pelo país. Ontem a PM entrou em conflito contra estudantes da USP, quando deteve, dentro do campus, três estudantes que estariam fumando maconha. Desde o início da semana camelôs tem suas manifestações “contidas” pela polícia, pelo direito de manter sua feira durante a madrugada na região do Brás, em São Paulo.
A marginalização e a crimanlização de condutas alternativas à do estado são evidentes. Na alegada democracia brasileira a ordem é temperada com gás de pimenta, como diria Jorge du Peixe. Seja por uma alternativa econômica ou por uma modo de vida que fuja das convenções sociais moralmente aceitas, o indivíduo resistente é criminalizado com a conivência apática da sociedade e o referendo canalha dos meios de comunicação do establishment burguês.
Um consenso reacionário de leis torcidas em favor do poder se espalha de modo assustador pelo país. Seja nas atitudes dos governos ou na aprovação alegadamente positiva e necessária da população. Mais do que dilacerar nossa falsa democracia, essas atitudes vão eliminando aos poucos, a partir das liberdades individuais, pensamentos questionadores e vislumbres de uma nova sociedade.
Segue abaixo um exemplo que rolou esse ano, na Praça Sete em Belo Horizonte, quando os artesãos, chamados de “Hippies” pela imprensa, forma escurraçados da praça. Sob a alegação de cumprimento da Lei Orgânica do município, que proíbe o comércio nas ruas sem licença, Prefeitura e Polícia Militar “higienizaram” o centro de BH detento artesãos, apreendendo e destruindo seus pertences e produtos. Cabe m bom debate nessa questão, que vai desde a definição de patrimônio cultural, do reconhecimento único da produção material legalizada e industrializada, até a liberdade individual de ocupação da cidade e seus espaços públicos. Mas o que se destaca é a utilização da lei como dispositivo torto de aplicação da ordem, nos moldes da burguesia e de seu lacaio estado. Não resta adjetivo senão facista, pruma atitude que pretende enquadrar a sociedade em padrões que, de longe, não tem nada a ver com a realidade.
Infelizmente não achei o canal original do cara que produziu o doc, Rafael Lage. Mais informações estão no blog da produção, Beleza da Margem. Ficam aí os créditos. Na sequência há dois vídeos menores, mostrando as ações policiais nos dias em que a praça foi sitiada. Até um traseunte foi detido por discordar da ação policial, com a mais facista das alegações: desacato à autoridade.

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