Arquivo mensal: julho 2009

>Thom Yorke lança cover de Mark Mulcahy

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Já está disponível na rede a faixa All for the Best, gravada por Thom Yorke, single do álbum Ciao My Shining Star, coletânea de covers em homenagem ao múscio americano Mark Mulcahy. A música é da banda Miracle Legion, da qual Mulcahy foi frontman nos anos 80. Além de homenagem o disco também tem caráter de incentivo e consolo para Mulcahy, que perdeu a esposa recentemente. Além de Yorke, o tributo conta ainda com Michael Stipe, Ben Kweller, Frank Black, The National – cuja faixa também já está disponível na rede – e mais artistas que interpretam 21 canções de Mulcahy. O disco tem lançamento previsto para setembro.

Thom Yorke – All for the best (single)
Ciao my shining star (album)

Tribute to Mark Mulcahy

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>A atriz, o heterônimo e a obra

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A descabelada aí da foto é Annie Clark, ou St.Vincent. Ex-integrante do Poliphoniic Spree, a moça lança seu segundo álbum, Actor, sem muita pretensão e com uma produção brilhante. Depois do bem recebido debut, Marry Me de 2007, a cantora e multi-instrumentista passou a abrir shows para o The National, Arcade Fire, Television e agora retorna do estúdio com uma pérola. Lançando mão de várias influências como post e indie rock e num clima a la Regina Spektor, o disco é tão suave quanto cativante. Recheado de bom pop e com pitadas de boas orquestrações, Save from what i want e Laughing with a mouth of blood soam iluminadas e a balada The Party é a perfeita trilha sonora para uma chuvosa tarde de bom humor.

St. Vincent – Actor
4AD – 2009

Up: The Party
The Strangers
Black Rainbow
Down: The Neighbors

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>Eis as crianças…

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E no início havia Portishead e Massive Attack e todo mundo achava que esses eram os pais do trip hop. Mas em 1997, no Reino Unido, escondidos em Shefield havia dois caras, Dean Honer e Jarrod Gosling, ou melhor o I Monster e esta era outra história. Com influências do chill out setentista, prevendo o que mais tarde seria chamado de lounge e ao mesmo tempo desconstruindo isso tudo, esses dois ingleses começaram um legado. Enquanto nos EUA o Unkle fazia albuns altamente complexos, do outro lado do atlântico o I Monster mixava sons de filmes de terror e criava uma estética que mais parecia a versão sonora do Monty Python Flying Circus. Com uns dez órgãos vintages, teclados, guitarras, sintetizadores, câmaras de eco, um teremim e mesas de som e mixagem abandonadas aos brechós nos anos 70, These Are Our Children foi produzido e lançado em 1997, mas quase passou despercebido. Em 2001 o single Daydream in Blue desencadeou uma série de lançamentos que trouxe enfim o monstro à vida e em 2004 NeveroddoreveN fincou a dupla no cenário alternativo. Agora o I Monster mantém o nome e a potência com A Dense Swarm Of Ancient Stars e, para o bem da humanidade, relança – em download gratuito no seu site – o quase mitológico debut. Eis a história.


I Monster / These Are Our Children
Cercle Records – 1997

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I Monster / Neveroddoreven
Twins of Evil – 2003

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I Monster / A Dense Swarm Of Ancient Stars
Twins of Evil – 2009

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>Guitarra, hip hop e gameboy

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Há uns malucos (e me incluo neles) que depois de ouvirem 15 segundos de uma trilha de reportagem ou comercial, mergulham na net à caça da origem daquele trechinho que fica em loop na memória. Numa dessas investidas descobri Bumblebeez 81, um casal de irmãos australianos e que animam até velório. Praticamente inexistente no Brasil, eles já estão na ativa desde 2003, quando lançaram o single Red Printz. No ano seguinte surgiu White Printz, que logo foi fundido com o anterior, dando origem ao álbum The Printz. Entre remixes e reedições, com pouquíssima divulgação eles lançaram no ano passado Prince Umberto and the Sister of III. Entre samplers, beat-boxes, guitarras e trilha sonora de video game, surgem temas de TV, baterias explosivas e muita comédia. Com uma sonoridade que vai do punk ao eletrônico, passando pelo shoegaze e mixado em hip hop, Bumblebeez é enérgico, a cara de balada indie.

Bumblebeez 81 – The Printz
Modular Music – 2004

Up: Step Back
Pony Ride
Come Ova

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Bumblebeez – Prince Umberto and The Sister of III
Modular Music – 2008

Up: Freak your lonelyness
Spaceships
Crazy Tongue

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>Botando 2009 em dia

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Atualizando tudo, chegou a hora de alguns dos lançamentos mais esperados do ano. Já adianto que as capas dos álbuns a seguir são decepcionantes, mas o som, quando não se mantém mais do mesmo, tá melhorzinho. Vamos ao que interessa!

Impressionando depois de impressionar

Desde que surgiu, muita gente tem se embriagado com as irmãs Casady, mas confesso que para além dos seus inusitados instrumenmtos, pouco elas tinham me cativado. Mas eis que em 2009 Bianca e Sierra reaparecem com uma carinha mais convencional e tentando cantar de verdade. Melodias mais simples, poucos instrumentos, menos barulhinhos e um saxofone na hora certa, formam um EP de cinco faixas excelentes.

Procura-se receita de sucesso


Com nova gravadora, novo baterista e novo produtor o Placebo lança novo álbum. Na verdade nem tão novo. Battle For The Sun é um Placebo revisitado. O sexto álbum dos ingleses, produzido por David Bottrill (que já trabalhou com Muse e Silverchair), conta agora com Steve Forrest na bateria e saiu pela gravadora européia Pias (Play it Again Sam – interpretações à vontade), porém tantas mudanças não devolveram à banda a pegada do primeiro álbum ou os hits de Black Market. Ou seja, o Placebo ainda corre atrás do que era.

Mais do mesmo


A expressão pode ser depreciativa, mas não para o Sonic Youth. The Eternal é o 16º álbum dos nova iorquinos, o primeiro pela Matador e depois de quase 30 anos de carreira o quarteto ainda é “O” Sonic Youth. Multi sonoridades, efeitos inpensados, uma parede sonora extremamente rejuvenescedora ao longo de 12 faixas. Com destaque para Antenna e Walkin Blue, The Eternal fará os Stones entenderam o que é ser cinquentão no rock.

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CocoRosie – Coconuts, Plenty of Junkie Food
Touch & Go -2009

Up: Coconuts

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(pass: nodata.tv)

Placebo – Battle For The Sun
PIAS – 2009

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Sonic Youth – The Eternal
Matador – 2009

Up: Antenna
Up: Walkin Blue
Up: Massage the History

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(pass: nodata.tv)

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>Clássicos, de verdade

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Anton Bruckner – Sinfonia nº 9
Bruckner não é uma figura comum na música erudita. Apesar de auto-didata como instrumentista, começou a compor apenas aos 41 anos de idade. Nascido em 1824, chegou a conhecer pessoalmente Richard Wagner (de quem literalmente beijou os pés) e estudou com Mahler. Eu costumo situá-lo entre Beethoven e Mahler, o que nessa concepção – sem demérito a qualquer outro – é uma fase de transição do classicismo para o serialismo, ou da ideia romântica pra a dodecafônica. Morto aos 72 anos, o sueco de modos rudes não chegou a finalizar sua 9ª sinfonia, dando margem às lendas das nonas. Esta é minha favorita de Bruckner. Forte, extravagante e com largos traços de desprendimento dos formatos da época, forma que mais tarde seria amplamente condensada por Mahler. O segundo movimento é um ataque que merece ser ouvido com atenção. Sugiro aumentar o volume e atacar o silêncio.

Johan Sebastian Bach – Seis Suítes para Violoncelo
Talvez uma das obras mais famosas de Bach. O primeiro movimento da primeira suíte já ganhou inúmeras versões mundo afora. Uma das mais famosas é a de Yo Yo Ma, cellista renomado. Acontece que Bach, mestre do Barroco, do alto de sua engenharia musical, vem de um momento muito distinto em estilo, modo e tempo da música atual. Assim, esta versão das seis suítes tenta resgatar isso. Bruno Cocset, cellista alemão, gravou essa versão em 2001, tentando resgatar os detalhes do barroco. Cocset alterou algumas afinações, acresceu uma corda ao cello – como sugerido nas pautas originais – e fez as gravações de cada suíte em uma única tomada. As vezes é possível ouvir o estalar das cordas contra a madeira e até a respiração do múscio. Cocset traz uma leitura mais original e bem diferente das coinhecidas.

Anton Bruckner – Sinfonia nº 9 em Ré menor
Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera
Regência: Eugen Jochum

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Johan Sebastian Bach – Seis Suítes para Cello
Cellista: Bruno Cocset
Chapelle de l`Hôpital Notre-Dame de Bon Secours – 2001

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PS: As duas peças fazem parte da trilha sonora de Saraband, último filme de Ingmar Bergman. Inclusive o título do filme vem das sarabandas das suítes de Bach.

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>Cinema Fantástico

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Enquanto não rola a primeira mostra Cine Vídeo de Joinville, a galera de férias (e com grana, claro!) pode dar uma “passadinha” em POA. É isso ai, tá rolando desde o dia três de julho o Fantaspoa, festival de cinema dedicado ao cinema fantástico (ficção científica, fantasma e horror). Este ano a mostra conta com 200 produções, sendo a metade longas, com filmes oriundos de todo o mundo. O festival acontece em quatro salas de cinema de Porto Alegre e vai até o dia 19/7. Para mais informações acesse o site: http://www.fantaspoa.com/2009/fantaspoa/index.php


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>Música para elevador

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Se eu já não tivesse ouvido falar de Koop ficaria impressionado em saber que é música eletrônica. Ainda assim fiquei. Koop Islands é uma obra-prima dos samplers. A dupla sueca formada por Magnus Zingmark e Oscar Simonsson parece uma mini orquestra, mas o colorido de Islands é resultado de milhares de pinçadas nas mais variadas fontes de vinil. O disco parece uma compilação dos melhores sucesssos do chill out dos anos 50 aos 70 ou das melhores músicas de elevador dos filmes de James Bond com Roger Moore.
Influências (ou pescadas) de temas jazzisticos são adocicados com um swing caribenho, lembrando desde os temas de Gershwin cantados por Nat King Cole até uma quase bossa que remete a Eumir Deodato, Jobim ou Baden Powell. Quando os xilofones aparecem, parece música saída daqueles clubes de nomes latinos que aparecem na Hollywood dos anos 50. Mas nesse terceiro disco o Koop conta com mais do que as aglutinações, os vocais de Ane Brun, Yukimi Nagano, Hilde Louise Asbjornsen, Rob Gallagher e Mikael Sundin parecem crooners ecoando de algum salão demodê e conseguem deixar o álbum ainda mais rico. Enfim, Koop me surprendeu e agora meu MP3 parece um elevador.

KoopKoop Islands
(DieselMusic – 2006)

UP: Forces… Darling
Down: Drum Rythm A

>>>Download
(pass: nodata.tv)

www.koop-islands.com

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>My Blueberry Nights Soundtrack

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Um road movie para ouvir no sofá, com vinho, companhia e …

Todo bom filme merece uma boa trilha, certo? Sei lá, a questão aqui é que tem quem considere a trilha superior ao filme. De fato este é o filme mais pop de Wong Kar Wai e a trilha segue a receita, mas nenhum dos dois perde brilho, mesmo que se fique ressabiado ao ouvir a protagonista Norah Jones abrir a trilha com a romântica blue note The Story. Mas após os créditos, quando o filme de fato começa, é Chan Marshall quem dá o tom com Living Proof. Entre os temas incidentais de Ry Cooder surgem Otis Reeding, Ruth Brown, Amos Lee, e até uma versão em harmônica de Chikara Tsuzuki para Yumeji’s Theme, tema de Amor à Flor da Pele, que nos levam às paisagens desérticas de Nevada, às ruas de New Orleans ou simplesmente para a estrada, se afastando, assim como no filme, da jazzística Nova York. Com cada faixa presa inidivisivelmente a cada cena, quase dá para rever o filme. O clima do filme é o clima do álbum e vice-versa. Quando Cat Power reaparece, na última trilha, com The Gratest, te deixa na dúvida: ouço denovo ou assisto novamente?

My Blueberry Nights (Original Soundtrack)
Vários Artistas

Blue Note / 2008

Up: Cat Power 2x !
Down:
?

>>>Download

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